A pesca é uma actividade antiquíssima que, tal como a caça e a agricultura, é praticada pelo homem desde a pré-história tendo em vista conseguir obter os meios necessários à sua subsistência a partir do meio aquático – alimentação humana (Dias, 2007). Para além do aspecto fundamental da subsistência humana, a pesca é uma actividade económica importante, geradora de várias outras actividades em terra (transporte, armazenamento, transformação e venda dos produtos da pesca, construção e reparação das embarcações de pesca, construção de artes e utensílios de pesca, etc) empregando uma grande quantidade de pessoas (Dias, 2007).

Existem quatro grupos principais de recursos pesqueiros:

  • Pelágicos – Espécies que vivem nas camadas superiores do mar. estas podem ser classificadas como pequenos pelágicos, como por exemplo, o arenque, a sardinha, a anchoveta, o carapau e a cavala; e grandes pelágicos, como os atuns e peixes similares, o espadarte, os tubarões como a tintureira, as potas e as lulas);
  • Demersais – Espécies que vivem sobre ou perto do fundo do mar, sobre a plataforma continental. São exemplos a pescada, o tamboril, o bacalhau, a gamba, o lagostim e o polvo);
  • De profundidade – Espécies que vivem para lá do talude continental, a profundidades superiores a 400 m, como por exemplo: o peixe-espada preto, o peixe-relógio, tubarões de profundidade como a lixa, etc;
  • Diádromos – Espécies que migram entre os rios e os oceanos durante o seu ciclo de vida, como o salmão, a lampreia e as enguias (Dias, 2007).

Para se pescar tais recursos, podem ser utilizados dois tipos de pesca:

Tabela 1. Pesca Tradicional vs Pesca Industrial.artesdep

Dentro destes dois tipos de pesca podem-se enumerar algumas artes de pesca e relacioná-las com a sua sustentabilidade:

  • Artes de Pesca Passiva: arte cujo pescado vem de encontro às armadilhas (Bonfim dos Santos, Silva & Bessa, 2013). Esta arte é caracterizada por ser mais sustentável (Bonfim dos Santos, Silva & Bessa, 2013).
  • Artes de Pesca Ativa: arte de pesca em que o uso de técnicas são manipuladas para a busca e apreensão dos peixes (Bonfim dos Santos, Silva & Bessa, 2013). Este tipo de arte causa grandes danos nos ecossistemas.

                                            Tabela 2. Artes de Pesca Passivas e Artes de Pesca Ativas.artes2

Uma das artes de pesca que gera grandes estragos a nível ambiental é o uso de redes de arrasto, uma vez que são aparelhos bastante utilizados na pesca industrial no mundo inteiro, cujas técnicas são caracterizadas pelo poder de captura da fauna íctica (peixes) e de invertebrados marinhos ao longo do fundo do mar ou através da coluna d’água (Bonfim dos Santos, Silva & Bessa, 2013), devastando todo o ecossistema existente no local. Essas artes variam no design e nos métodos de arrasto (LINS PAULO, 2011, p. 46, apud KING, 1995; SAINSBURY, 1996).

Figura 1. Redes de arrasto de fundo.
Figura 1. Redes de arrasto de fundo.

Situação Atual

O consumo de peixe tem vindo a subir constantemente. No último relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), revelado no mês de Julho, aponta-se para um consumo anual per capita a ultrapassar os 20 quilos – o dobro do valor nos anos 60 do século passado (Santos, 2016). Ou seja, o crescimento na procura de peixe ultrapassa muito o aumento demográfico. O primeiro tem vindo a crescer a uma taxa de 3,2% ao ano, desde 1961, enquanto a população segue a um ritmo de 1,6% ao ano (Santos, 2016).

Portugal é um dos países onde a captura do pescado é de 5 a 10 toneladas por km² por ano (Figura 2).

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Figura 2. Países cujo pescado é mais capturado. As unidades são: número de toneladas por km², em cada ano. Imagem retirado de: SANTOS, Paulo M. (2016) Como é que Vamos Conseguir dar de Comer aos Dez Mil Milhões de Pessoas que Deverão Habitar na Terra em 2050? Visão Verde.

 

Portugal, faz parte dos maiores pescadores mundiais (Figura 3.):

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Figura 3. Os maiores pescadores. As unidades estão em milhões de toneladas. Imagem retirado de: SANTOS, Paulo M. (2016) Como é que Vamos Conseguir dar de Comer aos Dez Mil Milhões de Pessoas que Deverão Habitar na Terra em 2050? Visão Verde.

 

“Quase um terço dos oceanos está sobreexplorado, ou seja, a captura de peixe é superior à capacidade de reposição natural dos stocks de pesca.” (Figura 4):

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Figura 4. Dados estatísticos relativamente à sobreexploração pesqueira, evolução das estrações de pescado e profundidade média da apanha do peixe. Imagem retirado de: SANTOS, Paulo M. (2016) Como é que Vamos Conseguir dar de Comer aos Dez Mil Milhões de Pessoas que Deverão Habitar na Terra em 2050? Visão Verde.

Se não tomarmos nenhuma decisão de modo a diminuir estes efeitos nos ecossistemas, tudo entrará em colapso. Devemos agir agora. Se cada um comprar peixe de forma sustentável, juntos podemos mudar o rumo do nosso Planeta.

 

Biografia:

  • SANTOS, Paulo M. (2016) Como é que Vamos Conseguir dar de Comer aos Dez Mil Milhões de Pessoas que Deverão Habitar na Terra em 2050? Visão Verde.

Imagens: